23 de mai. de 2012

Meme: Conheça o Blogueiro


Bem, esse meme eu não ganhei, eu "roubei" por assim dizer. A Diário de Uma Leitora Compulsiva deixou o convite em aberto para quem quisesse fazer, e porque não? Vocês já se perguntaram alguma coisa sobre mim? Bem, aqui vão as respostas:

1 - Quando surgiu a ideia de criar seu blog?
Na verdade não foi algo espontâneo tipo "Uau, vou fazer um blog para os meus textos!". Não foi nada disso. Mas desde pequena eu coloquei na minha cabeça que eu queria ter um blog. As primeiras tentativas não deram nada certo (vou comentar em outra pergunta), e eu abandonei o blogger por alguns anos. Porém, eu comecei a escrever meu primeiro livro e em algum momento eu decidi que seria escritora. Simplesmente acordei pensando nisso. E aí eu lembrei da minha conta do Blogger inutilizada e criei o blog mais simples do mundo, postei o post mais esdrúxulo esperando que o mundo inteiro lesse e fiquei decepcionada com minhas duas visualizações no dia seguinte.
2 - Origem do nome do blog:
Bem, na verdade isso é um pouco óbvio. Eu acho que esse sempre foi o meu título, desde o início. Minha mãe insiste para que eu mude o nome do blog para Sou Escritora. Mas fala sério... Vocês gostam assim, não é?
3 - Você teve/tem outros blogs além deste?
Sinceramente a minha história com blogs é longa e o Serei Escritora, com sua média de 10 visualizações diárias é o ponto alto dela. O primeiro de todos os blogs se chamava Carne é Crime, e eu criei com a minha melhor amiga quando estava tentando ser vegetariana. O problema de criar um blog quando se tem 7 anos, é que você não lembra a sua URL e nem a sua senha. Até hoje eu não sei o que foi feito do Carne é Crime. Mas enfim... Depois teve o Eu So Loka, um ancestral paleolítico do Serei Escritora. Era, inicialmente, para dar vazão à toda a loucura que eu guardava dentro de mim (e todo o internetês que eu tinha acabado de aprender, com meus 8 anos de idade). Novamente, a senha se perdeu. Mas o Eu So Loka permaneceu até eu deletá-lo algum tempo atrás. Depois, veio o conhecido Serei Escritora, que todos ai amam #yaaaaay (ou não). Junto com ele, criei o Fanfics da Bella, que existe até hoje por razões sentimentais, mas que está inutilizado. Se quiserem ler minhas fanfics, procurem pela Bellah102 no Nyah!Fanfiction. Enfim, depois eu criei o Abra A Kadabra, onde eu me transformaria de uma maluca para uma aprendiz de feiticeira chamada Kadabra. Mas depois de dois posts, percebi que não levei jeito para a coisa e o exclui. Atualmente, dedico toda a minha atenção limitada ao Serei Escritora.
4 - Já pensou em desistir alguma vez do seu blog?
Meu querido, estou sempre pensando nisso. Quando me dá uma temporada de seca, e eu preciso de um comentário amigo para me ajudar a continuar e não vem nenhum. Checo, checo, checo, checo e nada. Minha conclusão é que ninguém lê. Porém, como eu sei que a internet é um importante meio de comunicação eu continuo, porque eu amo esse blog e todos os meu leitores -apesar de eles serem comentadores avaros.
5 - Mande uma mensagem para seus seguidores:
Ei, você ai! É você mesmo. Eu amo você. Amo mesmo. Acha que se eu não amasse, eu diria? Eu amo vocês todos. Muito obrigada aos seguidores, aos leitores fantasmas, aos pedófilos que querem meu corpo nu, obrigado a todos, porque cada risquinho nas estatísticas conta para mim. Saber que as pessoas estão lendo o que eu escrevo, isso é extremamente gratificante. Eu não tenho um super design e nem editoras que me patrocinam só porque eu resenho seus livros. Tudo o que eu tenho a oferecer são os meus textos simples e curtos, mas que escrevo com todo o amor do meu coração especialmente para vocês. E mesmo que eu reclame dos comentários, no fim do dia não importa. Porque eu cumpri a minha missão de deixar a minha marca, por mais pequena que seja a audiência.
Sobre a blogueira: Meu nome verdadeiro é Isabella Beatriz, mais conhecida como Bellatriz (E para a tristeza do fãs da Razz, ela não existe OK?).


1 - Uma música: Uma só? Poderia citar centenas delas. Mas uma só? Vejamos... Fireflies, do Own City.
http://letras.terra.com.br/owl-city/1511274/traducao.html

2 - Um livro: Putz..., para livro eu sou ainda pior do que para música. Mas acho que o número um de toda a minha estante é A Hospedeira da Stephenie Meyer.


3 - Um filme:  Nemo. Eternamente.


4 - Um hobby: Ler, é claro. Nenhum escritor é realmente bom sem ler, a menos que tenha um dom singular tipo MUITO singular. E eu adoro. Eu sei que dizer que viaja é clichê, mas é exatamente assim que eu me sinto. Além disso, cantar e tocar. Toco violão e teclado, um pouco de piano. Tentei aprender gaita pela internet, mas não fui muito persistente. 


5 - Um medo: Escuro. Parece infantil não é? Mas tem algo no escuro que me deixa inquieta... Pode ser coisa de escritora, mas eu sempre acho que tem algo no escuro. 

6 - Uma mania: Cantar no banho. Conduzo meus vizinhos e parentes à loucura, mas nunca paro. Hora do banho é hora de show. 


7 - Um sonho:  Ter minhas própria editora especializada em escritores com menos de 21 anos e ser seletora de originais. Ser paga para ler?! Uh-la-la!


8 - Não consigo viver sem: Minha mãe, minha York Sunny, meu ursinho, Sr. Perro, que dorme comigo, livros e cadernos. 


9 - Tem coleção de alguma coisa? Coleciono, além de informação inútil no meu cérebro, filhotes de cerâmica, ou de plástico. Sabe aqueles cães que seguram plaquinhas de bem-vindo? Ou que vêem junto com as barbies ou pollies? Tenho mais de 150 desses (o que me rendeu uma medalha quando eu era escoteira). Além disso, coleciono as revistinhas da Turma da Mônica Jovem, não perco uma edição (Falando nisso, alguém tem a edição colorida da Turma do Cebola Jovem? Eu preciso!).


10 - Gostaria de fazer alguma pergunta para os próximos participantes? (No caso do leitor, responda no comentário):
Qual a cor da sua escova de dentes? (Tenho uma fixação com isso)


11- Do que você mais gosta no seu blog? De ser eu mesma. De poder postar o que eu sinto, seja indignação ou felicidade, crítica ou sugestão. De poder dar um pedacinho de mim à quem estiver disposto a aceitar.



12- Se você fosse um personagem de um livro, qual seria e por quê? (Pergunta da Ju, do Diário de Uma Leitora Compulsiva / Link lá em cima)
Eu acho que eu seria a Renesmee de Crepúsculo. Porque ela é muito sortuda. A família dela é foda, ela tem um namorado lobisomem e não precisa ir a escola. Há, detalhe, ela BRILHA na luz do sol. Tem alguma coisa mais irada que isso?

Então foi isso galera, espero que tenham gostado de me conhecer um pouquinho. Assim como a Ju, deixo o meme aberto para quem quiser fazer! Divirtam-se e se fizerem, deixem o link nos comentários para eu conhecer mais vocês. Beijão! 

Bella - Dona dos Pseudônimos


16 de mai. de 2012

#VamosTerGarra

Estou aqui para expressar a minha indignação. Sobre o que? Bem, só digamos que não sou a primeira e muito menos a unica, mas eu simplesmente não pude ficar calar. Perdão se eu ultrapassar o limite, mas essa é minha sincera opinião. O que nós somos? Como brasileiros e pessoas, seres humanos, para o olhar do mundo?
Somos negros e índios, com traseiros de escalas quilométricas, com macacos e papagaios empoleirados nos ombros, que sambam a toda a hora e jogam futebol com tudo o que encontram jogado na rua. Ponto. Sim. É o que pensam de nós. Bunda. Samba. Macacos. Diferença Étnica. E futebol.
Bem, quanto aos traseiros femininos brasileiros, não há muito o que se fazer. Acho que os homens precisam da fantasia de algum país tropical onde mulheres andam de biquínis minusculos para todo o lado, exibindo tudo o que tem. Quanto ao samba, eu também entendo. Nosso ritmo é marcante, gostoso, contagiante. Não me admira que os estrangeiros gostem tanto. Tenho orgulho - pelo menos dessa parcela - da música brasileira. Quanto aos macacos e à diferença étnica, não sei muito bem o que pensar. Provavelmente é algo que eles captaram ao passar os olhos sobre uma página da Wikipedia antes de plagiá-la (Afinal, que estudante já não fez isso?).
Finalmente chegamos aonde eu queria chegar desde a primeira linha. O futebol. É aí, que meia duzia de pé-de-alface (Como diz a vlogueira Bárbara Miyaji), começam a reclamar enquanto leem o texto, sentados atrás de uma luminosa tela de computador, comendo um imenso pedaço de bolo colorido. "Mas eu não gosto de futebol". Não importa. Isso ainda é para você. Eu sempre gostei de futebol, mas nunca tive vontade, nem interesse de entender o jogo completamente, principalmente porque eu odeio cada um dos 20 e poucos homens em campo por ganharem tanto para malhar e jogar um jogo que homens jogam de graça nas canchas publicas, enquanto pessoas morrem em hospitais caindo aos pedaços, esquecidos, não por Deus, mas pelo governo. Enfim, gosto, mas não gosto.
Esses dias, tivemos um jogo importante aqui no Paraná, com nossos times principais, disputando alguma coisa, que até hoje não descobri o que era. Desde pequena, fui levada aos jogos de futebol pelo meu pai (que não aceita assistir jogo sem seu fiel radinho a pilha, hábito que ele adquiriu com meu avô, que usa um trambolho singelas 15 vezes maior), e doutrinada a torcer. Fui ensinada sobre o que deveria cantar - e sobre só cantar aquilo no estádio. É divertido. É empolgado. É se sentir vivo. Resumindo, ir torcer no estádio é o máximo. Porém ver o jogo pela televisão, com a desculpa dos aficcionados, é uma droga. Eu me entedio tão rápido quanto na aula de biologia. Nesse jogo, apenas passei os olhos pelo placar enquanto batiam os pênaltis finais, que é possívelmente a parte do jogo que eu menos entendo - E com o nome mais engraçado.
Enfim, na escola, no dia seguinte, fiquei espantada ao descobrir que a maioria dos meus colegas, às vesperas de uma dificílima prova de física, não penas haviam assistido o jogo, como chorado e se emocionado com o resultado. Fiquei espantada com a força que esse esporte tem sobre nós. E foi na hora que me voltou a cabeça, a revolta sem sentido que eu tinha sentido ao ver a nova propaganda do Itau, que lança a proposta #VamosJogarBola. Ali, eu entendi porque tinha ficado tão brava.
VAMOS JOGAR BOLA! Diz o anúncio. Vamos fingir que estamos doentes, matar o trabalho e ir jogar bola! Afinal, esse é o jeitinho brasileiro, certo? Somos preguiçosos e só o que fazemos da vida é jogar futebol e comer arroz e feijão não é? Não! Além de eu também comer hamburguer de vez em quando, somos mais do que isso. Ser brasileiro é muito mais do que isso, muito mais do que o Itau, um banco supostamente feito para você, brasileiro, pensa de nós. E mesmo que eles patrocinem e aleguem que a "festa do futebol" será na nossa casa, jogar bola não vai resolver nossos problemas sociais, o atraso das obras para a copa e nem a fome do nosso povo, de um dia para o outro. É preciso esforço. Força de vontade. Trabalho. Educação. Porque afinal, não é preciso ser brasileiro para jogar bola.
O que realmente nos diferencia de tudo e de todos por ai, é a nossa garra. De torcer, de procurar resultados, se emocionar com replays. É por isso que há tantos torcedores. Porque direcionam sua garra para as telas. É por isso que formamos atletas lendários. Porque eles direcionam a sua garra para vencer e deixar o país orgulhoso. E é disso o que precisamos para mudar nosso país. Direcionar, mesmo que seja um pouquinho dessa força para o problema real. Aí sim, poderemos jogar bola. É por isso, que lanço aqui nesta postagem, uma contra proposta contra a do Itaú.
A curto prazo, #VamosTerGarra Brasil! Vamos trabalhar! E depois, a longo prazo, #VamosJogarBola para relaxar, afinal ninguém é de ferro. Mas então, não haverá nada no nosso caminho. E poderemos jogar até cansar.
E então brasileiros? #Vamos ter Garra?


9 de mai. de 2012

Agora, se beijem!

Conhece esse meme? Provavelmente sim. Bem, ele foi a inspiração para o texto de hoje. Espero que gostem. Com certeza, todo mundo tem, já teve, ou vai ter um colega implicante como esse:

                -Ai eu disse, não acredito! E ela disse como assim? Ai eu disse, é isso ai! E ela ainda teve a cara de pau de olhar na minha cara e dizer...
                Fui interrompida por uma pancada no ombro. A minha frente, William continuou correndo, agora de costas para receber a bola de futebol americano que o amigo lançou para ele detrás de nós.
                -Seu grosso! Por acaso é cego?
                Perguntei interrompendo minha história sobre a vadia da Barbra se achando melhor do que eu só porque papai tem graninha. Cat não disse nada, só cruzou os braços e calou-se. Minha amiga não gostava muito de confrontos. Eu também não, mas quando se tratavam de William, eu fazia questão de travá-los com as melhores armas que pudesse arranjar.
                -Duas esquisitas no meio do campo. Isso é totalmente contra as regras.
                -Para a sua informação, - Eu disse ameaçando espumar pela boca - Isso não é um campo de futebol, é uma calçada pública.Que, caso a sua mente retrógrada e paleolítica não saiba o que significa, quer dizer que pertence a todo mundo!
                Ele deu de ombros e mostrou a língua para mim e atirou a bola de volta ao amigo de trás, recusando-se a ir embora. Revirei os olhos. Muita maturidade. Virei-me para Cat, decidindo ignorá-lo completamente. Era o que minha mãe sempre me disse para fazer em situações assim. Afinal, veneno só faz mal se você engole.
                - O que eu estava falando mesmo? Ah é, da Barbra. Ai ela ficou tipo assim, tá falando sério? E eu perguntei, tá falando comigo? E ela ficou tipo, o que?
                A bola que William e o amigo trocavam acima de nós caiu bem nos meus braços, entre meus livros e meus seios. Levantei os olhos irritada, congelando William com o olhar e internamente destruindo-o com um raio laser roxo. 
                -Devolve ai, Magnólia.
                Ele pediu, batendo palmas. Aposto que assim que eu jogasse para ele, ele faria uma piadinha sobre como eu era fraquinha. Olhei para o lago que corria ao lado da calçada e troquei um olhar com Cat. Por um segundo pude vê-la implorar que eu não fizesse, mas depois ela revirou os olhos, sabendo que eu ia fazer. Joguei a bola lá embaixo, acertando diretamente na água barrenta, fazendo-a espirrar em várias direções. William olhou lá para baixo, chocado por um segundo, mas então empurrou meu ombro com as duas mãos, desenganchando meu braço do de Cat, que tapou a boca, assustada com a reação do meu arqui-inimigo.
                -Você está louca é? Só pedi para devolver a bola! Qual o seu problema?
                -Você!
                Respondi sinceramente.
                -E o que eu fiz para você?
                -Bem, para começar você nasceu. E me chama de “coisa, esquisita, e nojenta” desde que eu consigo me lembrar. Você costumava jogar suco na minha roupa para dizer que estava urinando ou suando. Você insiste em esbarrar em mim nos corredores. Você insiste em jogar uma bola em mim em toda aula de educação física. Quer que eu continue, ser odioso?
                Ele me empurrou novamente.
                -Ora eu devia...
                -Ir buscar sua bola que a correnteza vai levar?
                Terminei a frase para ele. Com uma carranca assustadora, ele e o amigo começaram a descer o barranco. Enganchei meu braço no de Cat e voltamos a caminhar na direção da escola. Assim que estávamos à uma distância segura, voltamos a falar.
                -Dá para acreditar nisso? - Perguntei exasperada. Cat suspirou. – O que foi isso?
                -Nada.
                Ela disse baixinho balançando a cabeça.
                -Vamos lá. Desembucha.
                Ela suspirou novamente e me encarou com os tímidos olhos verdes faiscando.
                -Olha, eu sei que o que eu vou dizer você já ouviu. Todo mundo fala isso mas é verdade. Ele te irrita desse jeito porque ele gosta de você. E você gosta dele.
                Senti-me ultrajada, difamada e violentada. Sim, eu já ouvira isso. Já tivera que aturar musiquinhas, risinhos, perguntas desconfortáveis, e os longos discursos da minha mãe. Mas eu nunca imaginara que a minha melhor amiga, a criatura mais fofa, afável e tímida da terra teria coragem que cometer uma atrocidade dessas. Eu, apaixonada pelo William? Era mais fácil porcos voarem! Sacudi o braço e saí a passos pesados.
                -Maggie! Espera! Desculpa!
                -Acabou tudo entre nós, Catelyn! Agora você vai assistir Game Of Thrones sozinha, e jogar badminton sozinha... E twittar sozinha! Vou dar um baita unfollow em você! E no tumblr também! É!
                Eu disse, magoadíssima, cruzando os braços e correndo.

                Meu mau-humor devido à briga com Cat teve uma pausa quando William e seu amigo entraram na sala com uma autorização. Eu não pude evitar de rir. Ambos estavam encharcados, mas William estava pior. E fedia. Havia folhas e lama pingando de seu cabelo e eu tinha certeza que era uma minhoca caminhando em seu ombro. O professor os mandou para o banheiro para se lavarem, e antes de sair, William lançou um olhar assassino para mim, enquanto eu me dobrava de rir sobre a mesa.
               
                Quando o sinal bateu, sinalizando o fim da aula de física, William estava de volta, de cabelos molhados, porém não mais sujos e de roupa limpa, que ele provavelmente devia ter no armário. Assim que o professor deixou a sala, ele veio diretamente na direção, como um míssil.
                -VOCÊ! – Ele gritou marchando na minha direção. – Sua garota imprestável! Porque fez aquilo com a bola nova que meu pai me deu? Eu estou fedendo!
                Observei-o de cima a baixo e soltei um risinho cínico.
                -Nada mudou.
                Eu disse dando de ombros. Ele se aproximou, puxando minha camiseta, como se planejasse me bater.
                -Sua irritante! Eu não fiz nada para você!
                Dei um tranco para que ele me soltasse.
                -Me solta, seu Neandertal!
                -Babaca!
                -Insignificante!
                -Nerd!
                -Implicante!
                Cat surgiu do nada ao lado da nossa discussão.
                -Que droga, se beijem logo!
                Ela empurrou William para cima de mm. Ele estava tão próximo que seus lábios foram direto de encontro com os meus. Por um segundo, a relutância de ambos os lados por palpável. Ele chegou a morder minha língua. Mas antes que eu ordenasse que meus braços o tirassem de cima de mim, sua língua invadiu minha boca sem a minha permissão. Ou William era um beijador desajeitado ao extremo (O que era bem possível), ou aquele beijo era um acidente completo. Mas ainda assim, por alguns momentos eu simplesmente aproveitei. E me atrevo a dizer que gostei. Que gostei de beijar William!
                Abri os olhos e o vi próximo demais. Ele abriu os olhos ao mesmo tempo, quebrando o encantamento que criava uma bolha de silêncio ao nosso redor. Todos na sala aclamava, se empurravam e acotovelavam para nos ver. Empurrei William para longe, não querendo que todos me vissem com ele.
                -Ui! Eca! Sai daqui! Eu te odeio, lembra?
                Ele se recompôs do empurrão, parecendo confuso por alguns segundos e depois voltando à carranca inicial.
                -É . Eu também te odeio!
                Disse, se afastando. Percebendo que o conflito e o beijo tinham acabado, nossos colegas começaram a dispersar. Quando encarei Cat ela me lançou um sorrisinho que claramente dizia “eu te avisei” e foi se sentar. Confusa, endireitei-me na cadeira, tocando meus lábios com a ponta dos dedos e corando. Eu tinha mesmo, perdido o meu BV com o William?!
                -Ei Magnólia! – Chamou William atrás de mim. Virei-me para ele – Quer dar uma volta qualquer dia?
                Ele perguntou sorrindo. Fiz que sim.
                -Claro. Eu vou adorar.
               
                


29 de abr. de 2012

Exista

Já assistiu Titanic? Assisti recentemente. Aquela musica sempre estivera por perto e sempre fora bonita, mas quando vi o filme, ela passou a mexer comigo. Eu sou o tipo de pessoa que fica emotiva depois de um certo horário sem dormir. Ou rio, ou choro. E com essa musica me lembrando o corpo do Jack afundando naquelas águas gélidas... Bem, pelo menos não foi de todo em vão:




Te quero, porque não quero abrir os olhos e não te ver ao meu lado. Te quero porque amo o seu sorriso, porque quando ele se abre, tudo faz sentido no mundo. Te quero porque amo tudo o que você é.Te quero porque seus defeitos são simplesmente lindos. Te quero porque sei que quando os problemas chegarem você está lá. Te quero porque sei que a luz que você irradia é mais forte do que a do sol. Te quero porque você é o que me mantém viva. Te quero porque não aguento ouvir uma musica romântica e não ter para quem cantá-la. Te quero porque te amo, amo seus lábios, seu rosto, cada traço dele. Amo o seu jeito, amo quando é tímido e amo quando fala. Amo o jeito que expressa o que quer dizer sem ter medo. Amo o jeito que você tenta fazer a todos felizes. Amo o jeito que você não guarda rancor.
       Amo o jeito que ri. Amo o jeito que chora. Amo jeito engraçado que sua mão tem quando segura ma caneta. Amo o jeito que ela desliza sobre o papel e cria magia. Amo o jeito que você parece pertencer ao mundo de um jeito que eu nunca pertenci. Amo o jeito como não tem medo de chorar e nem de morrer. Amo o jeito que morde o lábio quando está nervoso. Amo o jeito que coça a cabeça quando se sente sem jeito. Simplesmente amo quando você me olha nos olhos. Amo o formato dos seus lábios e de como eles se movem quando você diz meu nome. Amo sua voz e a segurança que ela passa. Amo seus braços e o jeito que eles me apertam, mantendo todo o mal de fora. Detesto o jeito como toda a cama parece fria demais sem eles. Odeio o quanto eu pareço ridícula por dizer isso. Odeio o quanto eu choro. Odeio o meu sorriso. Odeio que as pessoas zombem de mim. Odeio que o meu amor não faça sentido. Odeio a injustiça desse mundo. Odeio a hipocrisia. Odeio a sociedade. Odeio tudo que se coloca entre nós.
            Amo o jeito que você toca meu rosto, e o jeito como acaricia meu cabelo. Amo o jeito que você diz que me ama. Amo o jeito como você é tudo o que eu sempre quis. Odeio o jeito que você nunca esta ali quando eu preciso. Amo o jeito que você vê através dos meus olhos e das minhas desculpas e se preocupa o bastante para perguntar se eu estou bem mesmo. Amo o jeito que você ama o mundo. Amo o jeito que o mundo te ama. Adoro a grama em que você pisa. Amo o jeito que tudo para você é lindo. Amo o jeito como você vê bondade em tudo e em todos. Amo suas piadas sem graça. Amo jeito que brinca com meus dedos quando está entediado. Amo seus olhares perdidos que se cruzam com os meus. Amo o jeito que você me faz sentir. Amo aquela sensação de que meu estomago esta  cheio de arco íris. Amo a sensação de que eu sou a pessoa mais feliz do mundo. Amo o jeito que me beija. Amo o jeito que parece bem menos nojento com você. Amo o jeito que você e eu parecemos nos encaixar. Amo o jeito que você não se gaba por ser melhor. O jeito que você incentiva. Que você ajuda os outros. Amo o jeito que seus olhos se movem quando lê.
            Amo o jeito desajeitado que suas mãos deslizam pelo violão e pelas teclas do piano. Amo o jeito que se preocupa. Amo tudo em você. Amo, amo, amo, amo e pra sempre amo. Se me pedir para casar com você eu serei sua esposa para todo o sempre e talvez até mais se você me pedir. Eu já disse que te amo, e que caso com você. Agora por favor, por favor, por favor, por favor, se já sentiu alguma coisa por mim alguma vez na vida...Exista.

Skitter - A Maluca do Blog (Rose, sua bitch, TINHA ESPAÇO PARA OS DOIS SIM SENHORA!!!)

14 de abr. de 2012

A máquina de pão

-Leitores, vocês estão, nesse instante, sendo invadidos. Invadidos? Sim, invadidos.
-Repare como não utilizei do travessão para permitir que Razz questionasse a veracidade de minhas palavras e isso se dá simplesmente por que eu sou Razz e faço as minhas próprias perguntas. Ah, não se preocupem, Skitter está bem - pelo menos enquanto ela decidir se comportar. Eu a prendi por um tempo para finalmente ter uma postagem minha (#Geniodomalfeelings), MUAHAHAHA! Mas o que dizer? Pelo visto vocês parecem apreciar maluquices, pelo menos é o que a Skitter diz. Acho que para variar, a Voz da Razão tem uma. Lá vai:

Você já viu uma máquina de pão? Provavelmente sim. É um treco grande, que varia cores do branco ao prata e finalmente ao preto. É como um daqueles carros novos, quadrados, exceto por um detalhe: Ela faz pão.
Ah sim leitores, fico feliz em dizer, que a maravilhosa máquina de pão além de tudo, realmente faz pão! E não só pão! Pão de passas, nozes, banana, frutas cristalizadas, panetones e bolos de todos os sortilégios.
Mas meu Deus! Que bom que me disse! Eu quero uma dessas agora!
Espere! Tem mais!
Tem?
Tem! Você sabia que você pode colocar os ingredientes nessa maravilhosa máquina na noite anterior, e de manhã, quando você acordar para trabalhar, ir a academia, ou sentar na sua poltrona e assistir novelas mexicanas o dia todo, ficando a cada dia mais sedentário e gordo, o seu pão estará esperando por você, quentinho?
Legal. Agora você sabe. A maldição agora está com você. "Que maldição?" você pergunta. Bem, é uma longa história. Essa  maravilhosa máquina surgiu no mercado brasileiro há uns 6 anos e é aí que nossa história tem início.
"O que é isso?"
Pergunta minha mãe ao moço do mercado. Pobre de nós. Não sabíamos o quanto éramos sortudas em ser ignorantes quanto àquilo.
"É uma máquina de fazer pão."
Respondeu o rapaz, que devia ter uns 17 anos, provavelmente em seu primeiro emprego. Até aí tudo bem. O rapaz já tinha se feito entender. A nossa frente estava o futuro das donas de casa não prendadas o bastante para fazer seu próprio pão-de-forma. Ponto. Mas, sem ser convidado, sem saber já incuravelmente infectado pela maldição, o cara continuou:
"Você sabia, que pode programar na noite anterior para que quando você acorda, o pão 'tá quentinho esperando por você?"
O mundo se iluminou para minha mãe e para minha mãe. Pão quentinho e novo todas as manhãs? Parecia um sonho! Pelo que rezamos toda a vez que repetimos "o pão nosso de cada dia nos dai hoje"! E olha que eu nem gosto de pão de forma, mas mesmo assim, a ideia de que a máquina o faria por mim, era incrivel. Mas graças a vontade constante de perder peso, da temporada de cortes econômicos, ao IPI elevado, e à preguiça de carregar a dita cuja para o carro, a nossa querida máquina, infelizmente, continuou no mercado. Fim da história. Fim? Ou apenas o começo?
A maldição continua... O tempo passou. Skitter encontrou sua vocação para a escrita, o blog ganhou destaque na sua vida, mudou de design algumas vezes, entre outras coisas. Para todos os efeitos, mais ou menos cinco anos se passaram. E a máquina de pão jamais se manteve longe. Jamais.
Assistindo à Polishop na casa da minha avó, o ator contratado na tevê dizia-se entusiasmadíssimo.
-...E você não acredita no que essa maquinhinha faz por você. Quer ver? Você vai a-do-rar, ADORAR! - Ele vai até a bancada, abastecida com todo o sortimento do comidas e de "brindes" que você ganharia se ligasse AGORA! - Olha só... Você programa ela assim, ó - E mostrava como apertar os diversos botões - Coloca os ingredientes. - E quebrava alguns ovos, depois colocava algumas xícaras de farinha. - E de manhã quando você acordar, ele vai estar lá quentinho, esperando por você! Não é o máximo?!
E lá estava ela, sendo filmada de vários ângulos. E a coisa não parou por aí. Durante os próximos anos, eu e minha mãe fomos forçadas a aguentar a nós mesmas enquanto falávamos o refrão do "você sabia que..." toda a vez que víamos uma máquina dessas, só pelo prazer de ver as expressões de surpresa no rosto dos leigos de máquinas de pão, infectando-os a maldição do discurso panificador.
Passamos, nós duas, tanto esse conhecimento, que chegou um momento que todos ao nosso redor já sabiam sobre a maravilhosa geringonça padeira. E a maldição se autodestruiu por um tempo.
Entrando no ensino médio, com sonhos terríveis sobre reprovação, livros bestantes (e do Peeta me dando um pão), a máquina de pão era a ultima coisa que se passava na minha cabeça até que...
01/04/2012.
Aproximadamente 11:36.
Dia da mentira.
Um pai e suas duas filhas, uma de 14 e a outra de 6... Digo 8 anos, comem o café da manhã à mesa da cozinha tranquilamente. O pai pega o pão de forma de cima da mesa para cortá-lo e tudo acontece em câmera lenta. Antes que eu pudesse dizer "NÃÃÃÃÃO" e dar uma de Matrix para tirar o pão da mão dele, era tarde demais.
-Foi a vovó quem fez para mim. Comprei uma máquina de pão para ela. Sabia que se você programar... Tentei chamar meus ninjas acionados por telepatia, em uma tentativa frustrada de poupar o jovem cérebro da minha irmã da maldição, mas nenhum deles apareceu.
E então... A maldição retornou...

Skitter - A Maluca do Blog (Eu to bem, tá gente? :) )
Razz - A Voz da Razão (Por enquanto...)

21 de mar. de 2012

Almoço em família

Oi gente... Faz um tempinho que não posto depois dos comentários que eu recebi da divíssima Cleidyane Kate Angel (Clique no divíssimo nome para conhecer o divíssimo blog), eu fiquei me sentindo cruel com este fato. Então estou postando algo que eu iria mandar para um concurso, mas que eu perdi o prazo. Espero que gostem.
Obs.: - Minha família incluída nesta crônica: Nada escrito aqui tem a intenção de magoar (se é que magoa), humilhar ou expor. Caso se sintam assim só me deixem um comentário e eu juro que retiro, ok?
-Kate, muuuuuuitíssimo obrigada pelos seus comentários nos meus últimos textos, realmente me deixou nas nuvens saber que você me colocou no seu mural. Sua consideração é incrível para mim. Espero que você também tenha muito sucesso nessa empreitada que ambas estamos empreendendo.
-Sem mais delongas, aqui vai o dito cujo:


-Prometoque esse é o meu último cigarro!
            Disse a tia Helena apagando o toco,jogando-o no chão e pisando nele. Todos bateram palmas e gritaramencorajando-a. Sorri, animada com a perspectiva.
            -Eu prometo que essa é a minhaúltima cerveja! – Disse a tia Ivete, com a voz já arrastada por já ter passadoum pouco do limite. – De todas.
            Acrescentou. Todos riram, mas tambémencorajaram. Eu dei pulinhos de alegria, pensando na festa que tudo setornaria.
            -Eu prometo que esse ano, vou fazerdieta e emagrecer 20 quilos!
            A prima Jéssica disse sorrindo paratodos. Todos aplaudiram, e gritaram também, e eu, inocente na minha poucaidade, me juntei a eles. Os fogos começaram, anunciando o ano novo.  Naquele momento as promessas estavam valendo.Do meu lugar na roda da minha família, onde avós, avôs, tias, tios, netos,sobrinhos, sobrinhas, filhos, filhas, sobrinhos-netos, primas, primos,agregadas e agregados davam as mãos, no meio do estacionamento do condomínio doapartamento da minha avó, com os olhos admirados brilhando sob os fogos dediversas cores, eu imaginei que aquele ano só traria coisas incríveis para afamília toda.
Quandofomos todos dormir apertados nos colchões espalhados pela casa, já era muitodepois da meia noite. Roncos de todos os tipos saiam de todas as bocas povoandoa sala, mas estava tão cansada que nem notei.
            No dia seguinte, ninguém acordouantes das 11 horas, apenas todas as tias, que foram para a cozinha logo cedo,ligando fornos, abrindo e fechando gavetas, cortando e picotando carne, legumese salada, misturando coisas, e fazendo um barulho infernal. Apesar disso,quando fui acordada pelos sons que vinham da cozinha, nem pensei em me meter porlá para pedir que abaixassem o volume. Tudo o que conseguiria fazer é levar umacolherada de madeira na cabeça e ser vítima de um gritocídio. Deixe-meesclarecer as coisas. Quando uma mulher cozinha para muitas pessoas, seu corpolibera alguma coisa que a deixa nervosa.
Agoraquando várias mulheres com opiniões diferentes cozinham, as mesmas coisas, paratoda uma família de dez irmãos, seus corpos liberam duas vezes mais essasubstância, que eleva a irritação de uma mulher, criando a ilusão de uma“segunda TPM”, e faz com que qualquer forasteiro que se meta na cozinha, servítima de um gritocídio, que não é nada mais nada menos do que um homicídiocausado por irritação extrema.
            Então, sem vontade de voltar adormir, e sem vontade de ser gritossassinada, assisti aos desenhos na televisão,pairando acima dos colchões onde muitos ainda dormiam, e espremida no sofá,onde um dos meus primos dormia, roncando alto.
13horas e o almoço estava servido. Os que não tinham acordado até àquela hora,receberam pontapés, gritos, sacudidelas e acredite se quiser, até copos deágua, e cubos de gelo no pijama. A mesa foi posta depois que todos estavamsentados aos seus lugares, esfregando os rostos de sono e reclamando da vida. Amaioria dos meus primos mais velhos estava com uma baita ressaca, não que eusoubesse o que era aquilo na época, e as crianças da família faziam um rebuliçoacerca da mosca que voava acima da mesa. Os pratos foram chegando, quentes efumegando da cozinha da minha avó, que sentavam na ponta de mesa, lambendo oslábios enrugados.
            Grandes panelões de arroz e feijãoforam os que chamaram mais a minha atenção, mas não eram tudo. Havia arroz,como vovó dizia, metido a besta, todo enfeitado, com passas, ervilhas, milho,salsicha, passas, manga e tudo o que se pudesse imaginar. Lombo aindaborbulhando do forno chegou logo depois e então não apenas um, mas dois perusrecheados foram pousados na mesa. Notei que algo estava errado. Não havia sinalda tia Ivete, nem da tia Helena e muito menos da Jéssica. Mas como ninguém feznenhuma objeção, não me importei, até porque, mais pratos chegaram.
            Lingüiça, macarrão com almôndegas,ovos cozidos, bacalhau com batata, torta salgada, farofa, maionese, salpicão,strogonoff de carne, frango e camarão, bobó de camarão e até uma sopa especialpara a vovó. Toda aquela comida deixou  um monte de gente desalojada, obrigada a ircomer no sofá. Comi muito naquele almoço, mas honestamente, não me lembro nemda metade. Todos se serviram, comeram, se serviram de novo, comeram e fizeramuma pilha de pratos sujos na pia. As únicas coisas sobreviventes em cima damesa, além de raspas das panelas e potes eram três coxas de peru. Minha mãecolocou em um pote plástico e me entregou dizendo:
            -Faz um favor filha? Encontra a suatia Helena, sua tia Ivete e a sua prima Jéssica, porque elas não comeram nada.Dê uma coxa para cada uma, entendeu?
            Fiz que sim com a cabeça, animadíssimacom a missão, incumbida a mim pela minha mãe. Saltitando fui atrás de umchinelo. Lembrei que os tinha usado para tomar banho antes da virada do ano. Aporta do banheiro estava trancada quando a forcei. Bati na porta, e a voz datia Helena veio lá de dentro.
            -Quem é?
            Essaestava muito fácil! Pensei comigo mesma. Mas porque estava trancada no banheiro a manhã toda?
            -Sou eu tia. Quero pegar uma coisa ete entregar outra.
            Ela destrancou a porta e entrei. O cheirome atingiu e era inegável. Assim que entrei e eu soube. Tinha diante de mim, aprimeira perjura.
            -O que quer me entregar? São essascoxas?
            Não disse nada, perturbada por elater quebrado a promessa de ano novo, logo no nosso primeiro almoço em famíliado ano – e que provavelmente seria o último. Por pura pirraça, não lheentreguei a coxa destinada a ela e nem lhe dirigi palavra alguma. Com o chinelocalçado, fui a caça da minha tia e da sua filha, certa de que onde estivessem,estariam cumprindo as promessas a risca. E foi quando tive a idéia de comer aprimeira coxa de peru. Ora, quando minha cachorrinha fazia algo certo, mamãedava a ela um bifinho para cachorro. Se tia Helena tinha feito algo errado, nãomerecia a coxinha, certo?
            Mesmo estando cheia, empurrei paradentro, acreditando estar fazendo justiça com as minhas pequenas mãozinhas.Perguntei ao porteiro se minha tia e prima tinham saído. Ele me respondeu combom humor que uma não tinha encontrado a outra por cinco minutos. Ambas tinhamido até a esquina, mas minha tia virara na direção do bar e sua filha fora nadireção do mini mercado à duas quadras dali. Pedi que ele abrisse o portão e láfui eu, em direção ao bar na esquina. Na metade da quadra, vi Jéssica voltandocom uma sacola do mercado. Quando o sol bateu na sacola, vi algo brilhar. Outinha roubado alguma prataria, ou tinha em mãos vários pacotes com plásticolaminado. Disso eu entendi com certeza. Quando me viu aproximar, escondeu asacola atrás de si. Pensando um pouco, tive certeza. Estava diante da segundaperjura.
            -Oi linda. Tudo bem? Sua mãe sabeque está aqui fora?
            Fiz que sim e ela logo foi emdireção ao condomínio. Jogou a sacola na caçamba de lixo e quando desapareceuportão adentro, eu espiei lá dentro, recusando-me a acreditar. Dois pacotes daminha bolacha recheada preferida e um daqueles salgadinhos fajutos de milho.Não pude acreditar naquilo. Não sabia o que me deixava mais irritada: Ter puladonosso almoço em família para comer porcarias, quebrado a promessa, ou por nãoter me dado uma bolacha. Olhei para o pote na minha mão com raiva. Jéssicatambém tinha sido má, não merecia sua coxa, assim como a nossa tia.
            Com esforço, coloquei a segunda coxapara dentro e joguei o osso na caçamba. Continuei meu caminho na direção dobar. A tia Ivete iria cumprir a palavra, eu sei que ia. Ela era professora. Aminha professora me dava aula desde o pré e nunca mentia. Ela dizia que mentiraera uma coisa muito feia, e fazia a gente se sentir muito mal consigo mesmo eela estava certa. Se a minha tia era professora, devia ensinar aos alunos delaexatamente a mesma coisa. Então, saltitante e confiante, fui em direção ao bar.Hoje não me surpreende muito ao lembrar que uma terceira lata de cerveja foiesvaziada na hora em que virei a esquina, pousando na mesa ao lado das outrasduas vazias e tombadas.
            Lembro-me de com uma carrancahorrível, engolir a terceira coxinha, jogar o osso longe e com o estomagodilatado e doendo, o coração partido, e a percepção mudada, correr de volta aocondomínio e ficar balançando tristemente no balanço do parquinho, amaldiçoandobaixinho aquele ano, por não mudar tudo na vida dos meus familiares. Não foi naqueleano que tudo se resolveu. As promessas não duraram nem até o típico primeiroalmoço de família do ano – E tipicamente o único – E logo depois as três nemtentaram mais esconder. Mas elas foram refeitas no ano seguinte. Mas naqueleano, eu tinha uma promessa especial, que gritei ao mundo:
            -Eu prometo que a partir de hoje,nunca mais acreditar em promessas de ano novo.
           
Skitter - A Maluca do Blog (Vocês votariam em mim?)
Razz - A Voz da Razão (Realmente não estávamos seguindo você Kate, mas agora estamos. Desculpe o engano) 

10 de fev. de 2012

Aniversário



Dia 07 foi o meu aniversário, mas não importa o quanto eu tentava, não conseguia pensar no que postar para vocês. Tudo o que eu postar agora será de extremo improviso para comemorar meu aniversário junto aos melhores leitores do mundo.

"Just dance... Never stop..."
Diziam as palavras como todas as musicas modernas, com o intuito de fazer todos dançarem, apesar de apenas acossar as pessoas contra as paredes de vergonha dos movimentos necessárias para dançá-la. O som estava tão alto que fazia meus òrgãos pulsarem dentro do meu corpo. Eu não estava acostumada àquilo.
Na verdade eu nem queria vir, mas a festa era minha. Beckie havia dado-a para mim, o que a tornava mais dela do que minha,mas ela não me deixou faltar de qualquer modo. Eu só queria estar em casa comendo o bolo que minha mãe fizera para mim e afinando o violino novo que meu pai comprara de presente. Ao invés disso estava sendo jogada de um lado para o outro por corpos dançantes e suados.
"I had... The time of my life..."
Quando o primeiro verso soou,eu já sabia o que estava por vir. Era minha música. Eu gostava da versão original, mas aquele era o remix. Mesmo assim, Beckie fez questão de me chamar até o centro da pista de dança. Timidamente, caminhei por entre os rostos estranhos e cheguei até lá.
-Senhoras e senhores! Nossa aniversariante! - Todos gritaram e aplaudiram-me. - Quem será o sortudo que dançará com ela essa noite?
Gritos de nomes voaram pela festa acima do som, ininteligíveis no meio de toda aquela bagunça.
-Mas nenhum de vocês quis levar ela ao baile não é? Marmanjos interesseiros... Quem me ama?!
Todo mundo gritou e Beckie riu distribuindo beijos para as pessoas e acenando como se fosse uma celebridade em um tapete vermelho.
-Ótimo,ótimo, todos me amam. Mas nenhum de vocês vai dançar com ela. Eu já combinei com ele. Vem até aqui seu nerd nojento!
Ela chamou. Então Beckie estava tentando me arranjar alguém novamente? Bem, pelo menos dessa vez não deveria ser nenhum jogador de futebol inalcalçavel. E realmente não era. Axl Davis era um nerd com N maiúsculo e nem fazia questão de esconder. Seus grandes óculos Ray-ban não escondiam os perfeitos olhos azuis, mas destacava-os. Sua camiseta com a estampa de Super Mário World indicava a sua fascinação parecida com a minha por videogames antigos.
Havíamos nos encontrado algumas vezes e conversado na escola,mas sempre timidamente. Naquela noite, ele era o único garoto daquele salão com quem eu queria dançar. Um rosto conhecido no meio de uma multidão de estranhos. Quando começamos a dançar, ousando um ou outro movimento diferente para o público ao nosso redor, eu sabia que não era um final feliz nem nada.
Ele provavelmente não era o meu príncipe encantado e aquela não era a minha noite Cinderella, mas enquanto dançava, a única coisa que eu podia pensar é que aquele era meu dia. Apenas meu desde o dia que eu nascera.

Tentei parar com aquela coisa final feliz e tudo o mais, mas eu sou uma romântica incorrigível, e fica difícil para mim. Mas espero que tenham gostado. Logo posto alguma coisa que preste ok? Um beijo!
Skitter - A maluca do blog

31 de dez. de 2011

Querido 2012...


"Querido 2012
Tire aquelas lágrimas que derramamos em 2011 e transforme em sorrisos. Pegue aquelas desgraças que aconteceram, terremotos, enchentes, e tudo de mal que nos assolou durante o ano que se passou e transforme em alegrias futuras. Pegue aquela solidão que aquele menino sentiu e transforme em amor que ele sente por aquela menina, sua cinderela. Pegue aquela distância e a diminua para que ambos possam ficar juntos. Cure os cortes nos braços errados. Transforme sapos em príncipes - porque todas estamos fartas de sapos - e falsos principes em sapos - para que aprendam a ser humildes. Cure corações partidos. Limpe a bagunça que deixamos e faça com que ela vire uma bela imagem. Faça milagres de se for possível. Faça com que aquelas pessoas que não acreditam neles, olhem para o céu e vejam a Deus sorrindo para eles.
2012, seja bom. Faça o fim valer a pena.
PS: Faça com que ele me ame."


Preguei a carta à árvore e voltei para o banco de pedra. A neve continuava caindo na nossa cidade eu apostava, mas não ali, no calor da Califórnia. O natal já tinha passado fazia 6 dias, e Papai Noel não tinha atendido o único pedido que tinha feito à ele. "Papai Noel, por favor, só quero ele de natal.". Quando acordei não havia nada debaixo da árvore, não que eu esperasse que ele estivesse lá. Já era grandinha o bastante para saber que Papai Noel era uma lenda inventada pelas lojas de departamento para vender mais brinquedos no natal, mas não custava tentar. Ultimamente, eu estava ficando sem opções.
Quero dizer, um dia ele teria que ver certo? Ele não era o mais bonito, suas roupas se limitavam à camisas xadrez, calças jeans e moletons soltos, e seus interesses à video games, discos de vinil e revistas em quadrinhos. Um nerd embalado para a viagem. Mas eu o amava. Era inteligente, engraçado, meu melhor amigo. Mas nada do que eu fazia o fazia ver.
Observei o a brisa fresca que vinha do mar balançar a carta presa e levantei-me suspirando. Tinha uma festa para ir. Não queria me atrasar.

Quando nosso carro chegou à praia, a galera do outro já tinha acendido a fogueira.
-Achei que tinham ficado presos na neve!
Gritou um deles de brincadeira, provocando Dave que estava no volante. Ele revirou os olhos e saiu do carro. Eu, no banco do carona desci atrás dele, e o trio de garotas escandalosas que vinha conosco desceram do banco de trás, rindo e tropelando-se umas as outras como se estivessem bêbadas.
-Nelly, você está bem?
Dave perguntou.
-Sim, porque não estaria?
-Por nada.
Ele respondeu dando de ombros.

Os fogos começaram a ser lançados por toda a praia, explodindo em milhões de formas e cores. As três meninas escandalosas, se agarravam no garoto que gritara para Dave e explodiam em gritinhos a cada fogo no céu, como se não esperassem por aquilo. Eu e Dave ficamos sentados no tronco ao lado da fogueira, olhando para o céu distraidamente.
-Então, quem é ele?
Dave perguntou, não mais do que de repente.
-Ele quem?
Perguntei. Ele estava fazendo perguntas estranhas naquela noite.
-Ele por quem você pede. Sua mãe me falou que estava preocupada porque você pediu "Ele" ao Papai Noel, e eu achei isso no parque hoje.
Ele disse levantando a carta.
-Pode ser de qualquer um.
Eu disse, ficando vermelha. Nunca imaginei aquilo daquele jeito.
-É a sua letra.
Suspirei.
-Ele é incrivel.
Eu disse simplesmente. Ele fez que sim, a boca virando uma linha fina olhando longe no mar. Ele tinha ciúmes, conclui com um gosto bom na boca.
-É mais alto do que eu?
Perguntou.
-Nem um centímetro sequer.
Eu disse sorrindo.
-É mais bonito?
-Não, não mesmo...
-É mais forte.
-Não.
-Então porque o quer?
Os fogos começaram com um barulho ensurdecedor, iluminando o céu com suas luzes coloridas de diversas cores. Todas as meninas começaram a gritar, e os meninos riam das reações delas. Ah que se danasse! Puxei-o para perto e o beijei. Se não entendia todos, pelo menos entenderia aquilo. Todos riram de nós e nos molharam de champagne gritando.
-E ele?
Ele perguntou.
-No ano passado eu escrevi uma carta pedindo por ele. Esse ano, começamos a narmorar.

24 de dez. de 2011

Natal

A neve caia absoluta por todos os lados, fofa como só ela poderia ser. Linda como a vida, gelada como a morte. Todos estavam dentro de casa, com seus perus recheados, porcos ou peixes feitos no forno e outras iguarias que só existiam na noite de natal. Mas não haveria isso para mim. Dentro de cada uma daquelas casas, árvores esperavam pelos presentes do suposto Papai Noel, e meias penduradas acima da lareira esperavam presentes e não carvão. Mas daquilo tudo, nada era para mim.
No orfanato o dinheiro era pouco, mesmo naquela época em que todos estavam dispostos a doar. Mal dava para ligar o aquecimento a noite para que pudéssemos dormir e acordar com todos os dedos no lugar. Não sobrava dinheiro par a árvore, meias na lareira, e nem mesmo para os presentes. Só recebiam aqueles que estavam em processo de adoção, que recebiam dos futuros pais adotivos, ou dos parentes que pediam suas guardas, tias e tios que lotavam o refeitório em dia de visita. Mas nada havia para mim.
-Mike, a árvore não tem folhas desde o outono. Posso te ver ai em cima.
Eu disse, dando um impulso leve no balanço com meu pé coberto por um sapato de boneca. Minhas pernas estavam geladas por estarem vestidas apenas com uma meia calça preta, mas a saia de lã, o suéter e o cachecol esquentavam o resto do corpo, sem falar nas luvas e no gorro preto. Acima de mim, Mike pairava nos galhos agora brancos da árvore, balançando as pernas alternadamente.
-16 anos. Achei que estava velha demais para balanços.
-17 anos. Acho que está velho demais para ficar subindo em árvores.
-Toucheé. - Ele disse, pulando para um galho mais próximo na árvore nua de folhas. - Vim ver o que estava fazendo aqui fora. É quase meia noite. Vamos começar a ceia daqui a pouco.
Suspirei.
-Então daqui a pouco eu vou.
Disse olhando longe, pensando onde estariam os pais que nunca vieram me buscar.
-Ainda está brava comigo?
Ele perguntou.
-Amanhã é seu aniversário, junto com o de Nosso Senhor. Não posso ficar brava com você.
Ficamos em silêncio por algum tempo. No dia seguinte, dia de natal, depois que Papai Noel tivesse visitado todas as casas do mundo, mas esquecido dos orfanatos, talvez pela vigésima vez seguida, Mike faria 18 anos. Então teria que arrumar suas coisas, e arranjar um jeito de se virar. Ele já havia arranjado um emprego, que começaria depois dos feriados, mas ainda precisava de um lugar para morar. E ainda havia outra questão. Eu.
Havíamos crescido juntos. Passáramos por 16 natais, e em cada um deles, dávamos um jeito de trocar presentes. Uma pedra por uma concha daquela viagem a praia. Uma pipoca do não estourada do fundo da panela, por um remendo para a roupa. Mas agora, no nosso 17º natal, ele iria embora e provavelmente nunca mais iriamos nos ver.
Ele iria para Nova York tocar seu violão nas ruas, e eu iria para Harvard, tentar Advocacia ou Medicina. Nossos destinos não estavam destinados e se entrelaçar. Mas isso não me deixava brava. Me deixava deprimida.
-Quem diria. Acho que é o natal que mais nevou desde que estamos aqui não é, Linda?
-Acho que sim.
Respondi. Ficamos mais um tempo em silêncio. Ele pulou da árvore e parou o balanço.
-Eu te trouxe uma coisa.
Porque não ia embora logo? Se era para passarmos o natal longe um do outro, porque não ia de uma vez? Mas minha curiosidade me fez levantar do balanço.
-O que?
Eu não tinha nada para ele. Estivera tão chateada que não tinha revirado a casa atrás de alguma coisa que pudesse lhe dar.
-Olha para cima.
Quando olhei, um único tom de verde e vermelho chamou minha atenção na árvore desnuda de folhas. Um galhinho de visco estava amarrado no grosso galho onde o balanço estava amarrado.
-Você é um idiota sabia?
Perguntei, deixando um sorriso escapar.
-Posso ser um idiota, mas esse ano, eu sou seu presente de natal, Linda VonCliff.
Ele disse chegando perto e extinguindo a distância entre nós, brindando ao aniversário de Nosso Senhor com um beijo.

Feliz natal leitores e leitoras do meu Brasil varonil e do meu Blogzil maluquil... Um beijo! E até o ano novo! Ah e caso eu tenha leitores judeus, feliz Hannukah! (É assim que escreve não é? Perdão se estiver errado).
Skitter - A Maluca do Blog
Razz - A Voz da Razão

15 de dez. de 2011

À Batalha

-Senhor, estão todos posicionados, apenas esperando pela sua ordem. Sua rainha está ao seu lado, não se preocupe. Se houver algum problema realmente sério, seus fiéis conselheiros também estão prontos para o que der e vier, ninguém nunca sairá do seu lado, até o amargo fim. Os cavaleiros portando seus estandartes também irão ao seu lado senhor, ágeis como nenhum outro. Se a coisa chegar até eles, tenha certeza que darão conta dos recados. O que? As torres? Carregadas de arqueiros. Sim senhor. Prontas. Os guerreiros estão em posição. Não parecem importar muito, mas todos estão aqui, prontos para vencer ou morrer tentando pelo senhor.
-Olhe meu rei, parece que o exército inimigo está pronto. Devemos começar?


-Ah sim. Estamos prontos para começar. Não terei medo e jamais desistirei. O jogo só acaba, quando ou eu ou meu oponente estivermos mortos. AVANTE CAVALEIROS! LUTEM PELO SEU REINO!!!

Então gente, esse mês a Turma da Mônica Jovem fez uma edição ao estilo manual de xadrez, o que me desagradou um pouco, mas inspirou pacas. Então... Como perceberam, sim é um jogo de xadrez de que se trata o texto e não, isso não é jogo de velho. Já perdi horas - perdendo - com o meu pai. É ótimo para a mente, e uma mente sã...
-Não escreve bons textos.
Por isso eu sempre perco, querida Razz.
-Sim, é por isso. ¬¬

Skitter - A Maluca do Blog (Que perde no xadrez exclusivamente para que vocês recebam minha maluquice!)
Razz- A voz da Razão (Ela perde porque é ruim mesmo)

10 de dez. de 2011

Madrugada

Então, sabe aquelas noites que você não consegue dormir? Em que seus irmãos estão assistindo um filme de guerra na sala e você está deitada na cama, ouvindo os tiros, pensando na morte da bezerra? Quero dizer, não que haja morte de bezerras em filmes de guerra... Vocês me entenderam... Bem, cá estou eu, extamente 23 horas da noite de um sábado, acordada, de pijama, banho tomado, dentes escovados, porém em uma cama que não é minha e que fica ao lado de um computador. Claro que tentei fechar os olhos e pedir a mim mesma que não olhasse para o computador, mas meu instinto de blogueira falou mais alto.
O computador ligado no mesmo quarto que você é como uma torneira pingando em algum lugar da casa. Aquele ping ping faz você se questionar de onde ele vem, se há defeito na torneira, de onde veio a primeira torneira, será que os aliens tem torneiras? Torneiras poderiam dominar o mundo e se podem, qual o sentido de vivermos aqui nesse mundo azul cheio de águas que descem por canos até as torneiras que pingam durante a noite? Mas com um computador, a coisa é um pouco melhor e vai menos longe, porque quando criamos a coragem de sentar a frente do monitor que ilumina nossos rostos com sua luz azul, o sábio Google está lá para nos orientar e atender às questões como porque as bruxas são ligadas ao mal, e porque o quarto livro de Eragon existe quando Christopher Paolini prometeu que seriam 3 e porque demora TANTO para ser traduzido.
Em resumo, não há nada que seduza mais na face da terra do que o zum ininterrupto e baixinho de um computador que não está sendo utilizado. Pelo menos não para uma escritora. A não ser é claro que meu lado adolescente fale mais alto, e a cama grite por mim, mais alto que o sussuro do monitor.

Ping Zum Ping Zum Ping Zum...

Skitter - A Maluca do Blog

21 de nov. de 2011

Nem tudo é o que parece ser...

Seus olhos se enganavam? O velho e rabugento homem, seu vizinho, andava de mãos dadas na calçada ao lado de uma linda jovem? Desde que se mudara, nunca o vira sequer olhar para nenhuma mulher da vizinhança, nem tampouco mulher nenhuma. Iluminada pela luz do sol transpassada pelas laranjas folhas outonais, o cabelos castanho caía sobre os ombros e os olhos luziam e enrugavam nos cantos quando ela ria das piadas do velho, que o jovem que espiava pela janela não podia ouvir.
Decidido a tirar a limpo essa história estranha, desceu as escadas e saiu da casa, enquanto a moça se despedia do velho na varanda da sua casa. A jovem de olhos cor-de-mel foi gentil quando abordada pelo curioso rapaz. Com um sorriso que parecia ter sua própria luminescência e com muita calma, ela explicou a ele que era filha do senhor, e que morava longe e quase nunca podia vir visitá-lo. Agora estava se mudando para a cidade e planejava ver o pai mais vezes. "Se este é o caso então, disse o jovem, aceita tomar um café comigo?".
Nos bancos engordurados do melhor café da minúscula cidade, conversaram por algumas horas, e não demorou para voltarem a se ver. Tanto se viram que o jovem passou a amar a moça, e ela retribuía o sentimento, sem dúvida nenhuma. E logo o casório estava montado, dois anos após se conhecerem. Aos olhos do rapaz, esperando no altar, vestida de branco, sua noiva parecia a mais linda de todas. Como costume ela entrou ao lado do pai, que com um flor vermelha na lapela, trazia mais lágrimas nos olhos do que a própria filha. "Não choro pai, ela disse quando ele a questionou antes de entrar na igreja, porque tenho certeza de que eu o amo".
A cerimônia foi simples, mas feliz, e a festa a dois, sem balada, álcool e nem nada. Logo a primeira filha do casal começou a crescer dentro do ventre da esposa. Foi uma correria só, todos se esforçando para fazer da gravidez a mais tranquila possível. Mas antes que a pequena Sophia completasse um ano a seus passinhos lentos com os pés gorduchos de bebê, o pai da moça, que agora era mãe, faleceu de causas naturais. No enterro toda a família chorava, e apesar de o rapaz que agora era pai, com a pequena Sophia a balbuciar no colo estar pronta para apoiar a esposa, ela era a única que não chorava.
Na verdade, estampava um sorriso pacífico enquanto encarava o rosto do pai pela última vez antes que seu corpo desaparecesse debaixo da terra, como se os dois compartilhassem um segredo que só os dois sabiam. O marido, depois de chegarem em casa e colocarem a pequena Sophia na casa, perguntou a ela porque ela não chorava. Calmamente como no dia que se conheceram, ela respondeu com a voz macia.
"Minha mãe morreu quando eu era pequena e eu virei a prioridade do meu pai. Mas ele deixou bem claro que quando eu não precisasse mais dele, ele iria embora, mas só então. E é por isso que não choro, porque tenho certeza de que ele tinha certeza, de que eu não precisava dele."
"Mas mães e pais deveriam ser eternos. Precisamos deles sempre."
"Na opinião dele, eu agora tenho você."

Surpreendentemente essa linda história/redação não foi de LP (Língua Portuguesa), foi de Artes! Exatamente, devíamos fazer um óculos malucos, e enfeitar com o que a gente gostava. Enquanto todos os com dons irritantes de desenho faziam Ipods, notas musicais, e sóis, eu escrevi toda essa história, e agora posso usá-la no rosto. =D

Skitter - A Maluca do Blog

11 de nov. de 2011

Conto: Faça um pedido...


            Superstições surgem e elas mudam ao redor dos anos. Os seres humanos são criaturas padrões, ou seja, buscam padronizar as coisas, juntá-las de um jeito que faça sentido, agrupá-las para poder entendê-las melhor. Por isso que quando acontecia algo ruim com eles, agregavam à primeira coisa que podia culpar, um gato preto por exemplo. Ou quem sabe o sal que derrubaram mais cedo. Eles gostam de culpar o mais simples e banal, dizendo que o azar é culpa dessas coisas. Mas a sorte, segundo algumas pessoas também funciona assim. Como achar um trevo de quatro folhar, ou uma joaninha amarela sentar no seu ombro já é motivo para que as pessoas pensem que irão ganhar na loteria. Para mim, a sorte não existe. Bom, não existia, até hoje.
            Eu cheguei na sala antes de todos, como sempre. Eu vinha antes, para evitar os olhares das pessoas, eu os odiava. Todos me olhando traziam de volta traumas que eu não gostava de relembrar. Abri minha mochila e arrumei minhas coisas em cima da mesa meticulosamente como eu sempre fazia como meu TOC obrigava. O caderno, o bloco de notas e o estojo. Troquei os lápis de lugar as 47 vezes necessárias para que eles parecessem certos. Limpei e desinfetei minha mesa e coloquei tudo no lugar novamente. Então limpei a cadeira, e as pernas da mesa como o normal, esfregando 150 vezes o pé com os lenços umedecidos e jogando-os no lado esquerdo do lixo. Voltei ao meu lugar e me sentei esperando que todos chegassem. O dia 11/11/2011 começou como a maioria dos outros, nada diferente, como eu gostava.
            Uma a uma as pessoas chegaram, ouvindo música em seus headphones, ou estudando uma matéria deixada para trás, irritantemente sujos e infectados com doenças, vivendo suas vidinhas normais sem distúrbios de comportamento. E então entrou Ele. Ele que era suficientemente sujo para me levar a loucura, mas era uma mistura tão perfeita de beleza e inteligência que me fazia esquecer-me da sua falta de higiene por alguns segundos. Ele sentou-se ao meu lado e sorriu.
            -Oi Vida. Está pronta para hoje?
            -O que há hoje, Steve?
            -Como assim? Onze de novembro! Faça um pedido! Todos estão ansiosos lá em casa.
            Fiz que sim, fingindo um sorriso forçado, com o nariz levemente torcido com o cheiro peculiar que vinha dos seus sapatos. Ele pisara em fezes de cachorro. Que repugnante! Fechei os olhos tentando bloquear o cheiro. Esqueça, Vida, esqueça! O poço ficou para trás!
            -Desculpe... Eu não... Tem algo no seu tênis...
            Eu disse apontando, ainda de olhos fechados.
            -Ah sim. Perdão.
            O cheiro desapareceu por um tempo, indo com ele para algum lugar. Logo, ele voltou a se sentar no seu lugar, o cheiro estava mais leve, quase suportável agora e pude abrir os olhos para continuar a conversa como uma pessoa civilizada faria apesar de não ter a menor vontade disso.
            -Então, o que vai pedir?
            Ele perguntou abrindo a mochila enquanto o professor acendia as luzes e entrava na sala, dizendo seu bom dia como um ditador gritando as regras de seu país. Com as luvas plásticas eu abri em uma página do caderno limpa, virando uma página de cada vez como o TOC mandava.
            -Não acredito nessas coisas. Sorte, desejos para estralas, horas iguais. Nada disso faz sentido para mim.
            -Hum – Ele disse, provavelmente divagando enquanto abria seu caderno cujas páginas já foram rudemente arrancadas das espirais para fazer aviõezinhos de papel e cujas bordas estavam gastas – Isso é triste Vida. Isso é muito triste.
            Fiquei quieta, e logo a aula começou e nossa conversa não pode continuar.
           
            Durante a aula de matemática, todos os 38 celulares do resto da turma tocaram em uníssono quando deu 11:11. O professor nos deu cinco minutos para fazer nossos desejos. Todos desligaram seus diversos toques, com um toque na tela ou no botão direito, todos cobertos de suor e de sebo das mãos nojentas deles. Todas as garotas se juntaram em um canto, dando as mãos e fazendo seus pedidos. Os garotos gritavam desejos provocativos uns para os outros, e eu estava no meio dessa confusão.
            -Vida...
            Steve me chamou ao meu lado. Quando virei-me, já era tarde demais, não pude impedir. Seus lábios já estavam nos meus, me invadindo... Completando-me. Por poucos segundos, o mundo não existia, o poço em que meu primo implicante me empurrara que estivera abandonado há 30 anos, cheio de musgo e animais mortos, com aquele cheiro horrível que penetrou no meu corpo e mente me deixando doente nunca tinha acontecido. Era só ele, eu e nada de germes, de luvas plásticas, e lenços umedecidos, de desinfetantes, ou álcool em gel.
            -Ugh... Germes...
            Eu disse baixinho, separando nossos lábios por alguns segundos.
            -Vida?
            -Sim?
            -Cala a boca.
            Sorri enquanto ele se afastava e subia na mesa e gritava para a sala toda: “Vida Corners é o meu desejo!”. E naquele momento, não me importei com seus tênis sujos de fezes em cima do meu caderno limpo.